Edifício projectado pelo arquitecto Domingos Parente da Silva, durante a década de 80 do século XIX, terminando a sua construção -a cabo do empreiteiro José Alexandre de Carvalho- em 1889. Integrado no plano de expansão urbana do Cerco de São Lázaro, este edifício de traço eclético aglutina elementos de inspiração tendencialmente clássicas com referências arquitectónicas medievais ao nível da fachada central.
Este matadouro de planta longitudinal, articula um corpo central com dois corpos laterais, sendo estes dois últimos de uma maior austeridade a nível decorativo. A fachada central, com cobertura de duas e quatro águas, possui um único registo, sendo rasgada por uma porta e duas janelas de secção rectangular que terminam em arco de volta perfeita; o seu remate é composto por uma platibanda de merlões que enquadram as armas da cidade.
Os dois corpos laterais, com cobertura de duas águas, caracterizam-se por uma maior simplicidade, rimando a fachada central a nível da existência de um único registo, sendo a diferença marcada pela ausência de merlões, já que o remate é composto por empena angular com platibanda simples.
O resultado final, traduz uma certa solidez (corrobada pelos merlões da fachada central) bem como uma simplicidade decorativa, de teor erudito, eclético, que não deixa adivinhar a finalidade para que o edifício foi construído; de facto “articulando a arquitectura de engenheiros com aspectos formais mais próprios da composição estilística, a gramática do edifício revela o ecletismo do movimento romântico e revivalista, pretendendo esconder para a via pública o local bárbaro da morte do gado”. Estas referências ecléticas, concretizam-se plenamente no interior do edifício, onde a influência da arquitectura do ferro é extremamente marcante, sendo esta, de certeza, um dos referentes de inspiração estílistica do arquitecto, que mostra assim um olhar cuidado para os matadouros que, ao tempo, se construíam na Europa e nos Estados Unidos.
No interior, um corredor central abre para o recinto do matadouro, onde a divisão do espaço tripartido é feito através de colunas de ferro fundido que sustentam uma cobertura de madeira. Para uma ventilação mais eficaz, o arquitecto joga com a diferença de planos da cobertura, socorrendo-se também de um amplo lanternim que areja e ilumina o espaço. Todo este recinto é coberto por um alto silhar de azulejos azul e branco (fruto de uma remodelação do edifício em 1936), sendo o seu pavimento concebido de forma extraordinariamente funcional, sulcado por regos, para escoamento de sangue.
FONTE: Instituto Potuguês do Património Arquitectónico