Pelo traço do arquitecto Amilcar Pinto, nasce em 1937, o Café Central de Santarém, que denuncia na fachada e no interior uma apetência modernista, bem visível apesar das alterações a que este foi sujeito. O Café Central, foi construído sobre uma já muito degradada confeitaria, tendo-se tornado uma referência para os mais prestigiados habitantes da urbe escalabitana, que preteriam assim outros locais como o Café Portugal e Café Brasileira, estes dois últimos funcionando como ponto de encontro de comerciantes.
A fachada exterior do imóvel é segmentada por grandes vãos em linhas estilizadas, rectas, dispostas num jogo de linhas verticais e horizontais, que é destacado pelo uso do granito negro (que, em 1988 veio substituir o mármore da mesma côr). O recurso a pequenos frisos na demarcação do espaço, traduz uma escolha consciente por uma geometrização formal, denunciando um olhar cuidado para as propostas do “International Style”.
O vocabulário modernista, pode ainda ser encontrado no desenho das serralharias, na porta giratória, e no grafismo da palavra “Central”. No interior, observa-se uma continuidade a nível das propostas formais, bem patente na demarcação ritmíca do espaço em quatro pilares estruturantes revestidos a estuque parafinado, e no revestimento em lambris de espelhos. Esta delimitação geométrica do espaço é corrobada, no tecto, por seis círculos em estuque, que modelam a entrada de uma luz indirecta. Seis baixos relevos, cujos temas se dividem entre o café e o vinho, da autoria do escultor Maximiliano Alves (1888-1954) distribuem-se pelas paredes em núcleos de três, respectivamente.
FONTE: Instituto Potuguês do Património Arquitectónico