Esta construção realenga substituiu a ermida de Nossa Senhora de Guadalupe, fundada pelo rei conquistador, tendo como objectivo providenciar mais digno acolhimento à miraculosa imagem de Nossa Senhora da Piedade, existente naquele templo, a cuja intercessão se atribuíram milagres vários, nomeadamente a vitória portuguesa na Batalha do Ameixial (1663), que praticamente pôs termo à Guerra da Restauração.
Em 1664 o rei D. Afonso VI deslocou-se a Santarém e decidiu mandar erguer uma igreja, com o seu patrocínio, dedicada à Senhora da Piedade, aproveitando os alicerces da antiga ermida. Em 1665 começaram as obras, apenas concluídas nos finais do reinado de D. Pedro II. A Igreja da Piedade, já terminada, foi entregue aos agostinhos descalços em 1695.
A traça erudita, de planta centralizada, deve-se a João Nunes Tinoco, arquitecto da Casa Real. A igreja revela uma construção sólida, com uma estrutura em cruz grega, cúpula octogonal e coroamento de pedraria, denunciando a feição característica do estilo chão.
Três dos braços da estrutura foram concebidos para colocação das portas. Sobre estas, o escudo real (porta principal) e inscrições latinas (portas laterais). O quarto braço, a nascente, alberga a capela-mor, com abóbada de caixotões, onde se instalou um retábulo, sobre o nicho da Senhora da Piedade, com uma tela joanina representando Nossa Senhora da Boa Viagem. Nos braços sul e norte foram alojadas as capelas colaterais.
Os melhores materiais foram utilizados nesta construção, destacando-se a variedade dos mármores, provenientes de Sintra e da Arrábida. As paredes revelam frescos, mais tardios, com representações florais e ainda motivos de estuque em relevo.

TEXTO: Guiomar Fragoso