A construção original deste teatro -actualmente desaparecida- realizou-se entre 1870 e 1876 segundo traço do arquitecto José Luís Monteiro. Neste edifício, é de destacar a procura de formulários estétícos embuídos de um ecletismo análogo ao Teatro Ginásio de Lisboa, alusão que é sublinhada pela denominação escolhida – Rosa Damasceno- uma grande actriz que fazia furor nos palcos lisboetas da época. Com o evoluir da técnica cinematográfica e o consequente advento do som, em 1938 o teatro sofre uma profunda remodelação que é levada a cargo pelo arquitecto Amilcar Pinto, tendo este sido o responsável pela actual feição Art Deco, presente na geometrização linear da decoração da fachada do edifício. Esta opção estilística , está bem impressa no diálogo arquitectónico entre a verticalidade estrutural das linhas e os módulos de vidro que definem a geometrização global do espaço, concretizada nos cinco janelões que rasgam a fachada. O resultado global traduz-se numa arrojada espacialidade que não encontramos no análogo Eden Teatro (CUSTÓDIO, 1996, p. 218). Todavia, com o projecto de Amilcar Pinto, uma inspiração modernista colhida nos parâmetros estéticos e funcionais emanados por Charles Rennie Mackintosh e defendidos por Walter Gropius, está patente no programa decorativo que aglutina e uniformiza o interior do edíficio com o mobiliário. Aliás, em toda a concepção do projecto transparece uma modernidade tecnológica que se impõe pela tónica colocada na relação espéctaculo-espectador, notória na procura de uma iluminação detalhada, proporcionada pelo uso de vidro opalino que melhor direcciona a luz proveniente das lâmpadas de néon. “Este modelo funcionalista de salas despojadas e desornamentadas, onde a decoração era progressivamente substituída pela criteriosa iluminação e acústica e pelo arrojo das soluções de engenharia, estendeu-se até à província , como sucedeu no teatro Rosa Damasceno em Santarém, riscado pelo arquitecto Amílcar Pinto e inaugurado em 1938 (…)”. Esta procura de uma linearidade de formas que também se querem monumentais, transparece na marcação ritmíca, sugerindo um pulsar ondulante, patente na decoração do interior dos camarotes e alguns frisos, tendência que é corrobada pela modelação linear dos estuques.

FONTE: Instituto Potuguês do Património Arquitectónico